Há muitos anos começou a surgir no BR um monte de faculdade particular. As "pagou-passou", como eram chamadas as faculdades particulares no seu alvorecer, contribuíram muito para o processo de assoreamento da educação brasileira, levando ao surgimento de um tipo muito perigoso.
O sujeito que acha que sabe.
Se não estivéssemos vivendo esse empobrecimento educacional, eu não precisaria escrever este parágrafo, mas ei-lo: não são todas as faculdades, há instituições bem intencionadas que fazem um bom trabalho com seu corpo discente.
Basta buscar no Google "doutorados inúteis no Brasil" para descobrir como o dinheiro do contribuinte é sistematicamente desperdiçado e como uma pessoa pode parecer intelectual decorando as palavras certas como por exemplo: "as dinâmicas das interações"; "fulano é um feixe de relações..." e a expressão que eu mais gosto: "processos multissemióticos".
O Brasil de hoje é o resultado de um longo e meticuloso trabalho de vulgarização do título acadêmico e de desertificação da produção científica e tecnológica brasileira.
Ninguém mais tem conversas profundas sobre nada. Fala-se apenas de pessoas e coisas. O mundo das ideias espatifou-se em cosmos individuais indiscutíveis. Hoje em dia uma pessoa pode usar publicamente a expressão "a minha verdade" sem parecer ridículo ou imbecil.
Esse é um território já conquistado. Basta dois minutos de conversa com um egresso do ensino médio para perceber o sucesso da primeira fase do projeto.
Hoje estamos na metade da segunda fase: dividir as pessoas em pessoas do mal e pessoas do bem. E o mundo já dá claros sinais do sucesso dessa nova fase. Em muitos lares no BR e ao redor do mundo já temos um elefante na sala, como dizem os norte-americanos. Um tabu, um assunto no qual não podemos tocar.
E por se tratar de um projeto de poder, a política foi o piloto desse projeto. Por isso vivemos, divididos em dois grandes grupos: a seita dos liberais democratas e a seita dos conservadores republicanos. Aqui no BR a gente só chama de direita e esquerda, com a educação assoreada que temos, nos faltam habilidades para dar a mínima complexidade em nossos espectros políticos. Até porque não há espectro, é binário. Nós contra vocês.
Então o que nos resta é orar por dois milagres: que esse projeto dê errado em algum ponto e surja a oportunidade de fazermos o caminho de volta, Isso deverá nos custar duas ou três gerações até conseguirmos entrar no caminho do verdadeiro crescimento como povo e nação.
Nenhum comentário:
Postar um comentário
Comente com liberdade e bom siso