segunda-feira, 26 de março de 2018

FILME AMERICANO DE ARTES MARCIAIS

Todo filme americano de artes marciais tem aquele fracote, quase sempre usa óculos, bem otário, parecendo um retardado que vive apanhando dos caras que treinam uma luta qualquer.
Daí, logo aparece um zé-ninguém que trabalha de zelador, faxineiro, jardineiro ou é aposentado. Só que esse cara é justamente ex-super-extra-power-plus-campeão de artes marciais.
Aí, o retardado descobre que o tal zé ninguém é esse ex-super-extra-power-plus-campeão e pede pra ser ensinado pra ele dar porrada nos caras que batem nele. Aí esse tal zé-ninguém diz assim, não, retardado, essa arte marcial não é pra você sair batendo em todo mundo, é pra você se defender, pra você ficar um cara esperto e ninguém mais te chamar de retardado, se for pra você dar porrada em todo mundo, então eu não vou ensinar você a dar porrada em todo mundo.
O ex-super-extra-power-plus-campeão começa a treinar o retardado e fica claro que ele é tão retardado, mas tão retardado, que ele não consegue acompanhar os treinos e fala que vai desistir e cai no choro.
Daí enquanto o retardado chora na frente do ex-super-extra-power-plus-campeão, ele fala de uns traumas que ele passou e que ele não quer dar porrada mas ele precisa aprender a dar porrada. Na mesma hora, o ex-super-extra-power-plus-campeão fala que também passou por uns traumas bem parecidos e aí os dois ficam bem chegados, os treinos ficam mais duros e de uma hora pra outra o retardado começa a acertar tudo nos treinos. Não dá uma semana, mesmo com o físico de grilo ele começa a dar porrada até no ex-super-extra-power-plus-campeão durante o treino.
Daí o ex-retardado vai pra luta ou campeonato de luta junto com o ex-super-extra-power-plus-campeão, isso quando ele não morre antes da luta pra fazer o quê? Extamente, dar porrada em todo mundo! É nessa hora que o retardado começa a passar por todo tipo de dificuldade durante o desafio. Fica sem água, sem luva, fica tonto, é envenenado, quebra uma perna, perde um olho, um pulmão, etc. E aí, numa manobra espetacular, depois de meia hora de flashback, lembrando dos treinos, o ex-retardado dá uma única porrada no adversário e ganha a luta ou o campeonato. É nessa hora que dão um jeito de fazer aparecer a bandeira americana ou qualquer coisa vermelho, azul e branco e o filme acaba.

quarta-feira, 14 de março de 2018

ANDANDO NO CORREDOR

Definitivamente, andar no corredor é uma arte. Aquele espaço nem sempre certinho, quase sempre sinuoso, já que quase nenhum carro fica direitinho, alinhado atrás do carro à frente, que é cheio de retrovisores, de todas as alturas e tamanhos, não é o que se pode chamar de caminho tranquilo.
Se você pretende se aventurar na arte de pegar um corredor para chegar mais cedo ao seu destino, esteja pronto para assumir riscos, uma vez no corredor, você é o único responsável em evitá-los.
Por isso, sempre ande em velocidade reduzida, uma velocidade onde a frenagem é imediata e que sua moto não precisará de nenhum centímetro para parar totalmente. Fique com a mão direita e o pé direito de prontidão para uma parada de emergência e observe o comportamento dos veículos e, principalmente, dos motoristas. Tente ver se estão usando celular, se estão conversando com outra pessoa, ou se simplesmente estão distraídos. E você não precisa ter certeza de nada disso, basta suspeitar que o carro à frente está sendo conduzido por algum distraído para justificar uma buzinada, uma acelerada ou algumas piscadas com o farol apontando para o retrovisor do carro.
Vencida essa etapa, vamos falar do próximo perigo que são as ondulações no asfalto.
Numa cidade mais estruturada, onde as ruas e avenidas são construídas para suportar exatamente o tráfego que recebem, isso não se torna um problema. Agora, se sua cidade for como a minha, em que o asfalto além da baixa qualidade, não está dimensionado para o tráfego que recebe, você pode se deparar com deformações que podem te desequilibrar. Eu explico: as rodovias e pistas que recebem caminhões, ônibus e outros veículos pesados, é construída para receber o peso e a frequência desse tráfego, portanto são mais resistentes e construídas com materiais mais caros e com técnicas mais apuradas de pavimentação. Diferente das vias e ruas menores que recebem carros pequenos e pouco fluxo de veículos e por esse motivo, recebem uma pavimentação mais barata com técnicas mais simples. Isso não significa que são ruins, significa que não há necessidade de usar materiais caros para pistas sem retorno econômico ou social, ou seja, não passam caminhões de carga nem ônibus, só carros de passeio em sua maioria.
Quando essas regras não são obedecidas, ônibus e caminhões começam a deformar o asfalto e a criar trilhas no asfalto que cede ao peso desses veículos. E adivinha onde fica a ondulação mais à esquerda dessas vias mal dimensionadas? Exatamente, no corredor. É nesse momento que a prudência manda reduzir a velocidade para que você possa "lutar" mais facilmente com essas ondulações, evitando assim, ser jogado para o carro ao lado.
Algumas pessoas poderiam dizer que o corredor é um dos principais motivos para se ter uma moto. Eu diria que não faria nenhum sentido ter um moto que não pudesse vencer o trânsito e pegar um corredor para ganhar tempo. Mas é preciso tomar certos cuidados para a vantagem não se transformar num perigo para você e para os outros. Salve!

quinta-feira, 22 de fevereiro de 2018

EM TIME QUE ESTÁ GANHANDO NÃO SE MEXE

Cara, muito cuidado na hora de fazer modificações na sua motoca. Tem um monte de acessórios legais pra colocar, o suficiente para você fazer um monte de modificações bacanas na sua moto. Só toma cuidados pra não mexer em itens que comprometem a sua segurança e a segurança das outras pessoas.
Modificar o retrovisor é a modificação que eu acho mais absurda. Tem aqueles retrovisores bem pequenos que parecem aqueles espelhinhos de dentista. Tem outros que além de serem um pedaço de espelho bem pequeno, articulam para dentro para não ficarem aparecendo (?). Outros são de vidros coloridos, na maioria azuis, e dificultam bastante a visualização durante a noite. Todos esses espelhos retrovisores recebem a designação de esportivos quando na verdade não há uma moto esportiva sequer vindo de fábrica com um desses retrovisores.
Outro aspecto importante e polêmico é a substituição de escapamentos originais por escapamentos mais ruidosos. A polêmica é que uma moto mais ruidosa torna a pilotagem mais segura ao alertar os condutores dos outros veículos da presença da motocicleta. Embora alguns modelos não respeitem o limite de ruídos, os que não exageram na gritaria e produzem um ronco bonito podem ser a diferença entre um corredor tranquilo e uma fechada que te leva ao chão. Além disso, temos os suportes articulados de placa e a substituição de lâmpadas dos faróis por modelos que podem render algumas multas.
Se você vai instalar um slider, um protetor de motor, um monoposto, uma bolha ou outra coisa para preserva sua moto, tudo bem, mas não vejo com bons olhos a instalação ou substituição de equipamentos que podem aumentar o risco de acidentes. A não ser que você tenha feito Engenharia Mecânica e saiba muito bem o que está fazendo, sugiro não alterar as características da sua moto. Salve!

terça-feira, 20 de fevereiro de 2018

PILOTANDO NA CHUVA

Uma das coisas mais desagradáveis e broxantes da vida em duas rodas é pilotar na chuva. Tem o risco da derrapagem, os banhos que se toma, a mão deslizando na manete, os engarrafamentos, os buracos escondidos nas poças de água, um saco.
No entanto, se você tem a necessidade de pilotar na chuva, não tem outro meio de transporte, prefere correr o risco de chegar todo molhado ou ainda, prefere vestir uma capa a ter que ficar atrás de um volante, no meio de um engarrafamento colossal, aqui vão algumas dicas importantes para não beijar o asfalto molhado.
Ande sempre com espaço à sua frente para fazer uma frenagem segura, evite ficar próximo aos outros veículos, garantindo em caso de emergência, uma freada segura sem correr o risco de derrapagem, principalmente se sua moto não tem ABS.
Faça curvas com menos inclinação. Normalmente, quando fazemos uma curva, podemos "deitar" a moto e confiar de que faremos a curva com segurança. Em caso de chuva, faça uma inclinação menor e contorne a curva numa velocidade também menor. Assim, o risco de óleo misturado à água derrubar você também reduz consideravelmente.
Evite também fazer manobras de ultrapassagem muito rápidas, isso também pode fazer você derrapar numa poça de óleo e água e te levar pro chão.
Se você estiver pilotando na chuva à noite, lembre-se de como é comum os motoristas terem seus para-brisas sujos e engordurados e seus limpadores sem pressão e com a borracha ressecada e desalinhada. Mesmo que você não goste, mantenha todas as lâmpadas da sua moto funcionando, evite colocar fumê nas lanternas e esqueça de vez essa bobagem de retirar os retrovisores originais ou colocar "retrovisores esportivos". (no próximo blog eu falo desses retrovisores). Já pensou se você é colhido por um carro que vinha atrás de você e não te enxergou porque além de estar com o para-brisas imundo e todo molhado, sua moto tá parecendo aqueles búfalos na estrada de Pinheiro-MA.
Ande na boa, compre sua capa, limpe bem sua viseira, troque se já estiver muito arranhada e vai-te embora. Salve!

quarta-feira, 14 de fevereiro de 2018

TROCANDO A TRANSMISSÃO

Na postagem de hoje, vou falar de um assunto bastante importante, a troca da transmissão. A maioria de nós é bastante preocupada com a lubrificação da transmissão das nossas motocas para aumentar a vida útil do conjunto pinhão, corrente e coroa.
Andar com a moto sem lubrificação, fazer trocas forçadas de marcha, passar a marcha "no tempo" pode reduzir significativamente a vida útil da transmissão da sua moto, sendo necessária a troca do conjunto que, dependendo da sua moto, pode sair por um preço mais salgado que você gostaria.
Para você saber se sua corrente está precisando ser trocada, verifique a folga existente entre a corrente e a coroa com a moto no neutro. Se você tentar mexer a corrente e sentir a folga na mão, já está na hora de trocar o conjunto. Outro sinal bastante característico é a folga existente nos roletes da corrente. Se apresentarem folga, significa que sua corrente já trabalhou muito ou trabalhou em condições de pouca lubrificação. Além disso, o afundamento dos dentes da coroa e do pinhão são sinais evidentes de que está na hora de gastar aquela grana na substituição da "relação" da sua motoca.
Esteja atento às peças oferecidas por oficinas não autorizadas, peças ditas genéricas, podem ter uma durabilidade menor e acabar saindo mais caro que a peça original. Tente verificar a marca da coroa, do pinhão e da corrente para substituir por outra da mesma marca, esteja atento também às especificações para adquirir o conjunto indicado para a sua motoca.
Caso a grana esteja curta e você opte por fazer a troca de uma peça de cada vez, deixe a corrente para ser substituída por último. Você vai observar que a corrente usada vai ficar ruidosa trabalhando com pinhão e/ou coroa novos mas vai ser possível andar durante um curto período de tempo. Evite saídas fortes e trocas de marcha abruptas enquanto todo o conjunto não é trocado. Ande devagar e evite marchas altas em baixa velocidade para não chacoalhar muito a transmissão. Durante esse tempo, seja ainda mais cuidadoso com folga e lubrificação da corrente e assim que for possível, troque o que estiver faltando para não comprometer peças ainda mais importantes da sua moto. Salve!

sábado, 10 de fevereiro de 2018

IRMANDADE DUAS RODAS

Hoje eu saí de casa com minha linda garupeira pra gente tomar um café da manhã fora da rotina. Saímos cedo e fomos atrás de uma padaria de bairro, daquelas com aquele café da manhã barato e farto e acabamos por tomar um café "gourmetizado" por causa do mau atendimento na única padaria de bairro que a gente encontrou com o café farto e barato que a gente tanto queria. Depois demos uma volta na praia, andei bem devagar para apreciar a brisa da manhã, o sol, a bela vista da praia que, por sinal, é um santo remédio para o estresse.
Na volta, com a mesma falta de pressa de uma manhã bem calma de sábado de carnaval, tomamos o caminho de volta pra casa, felizes com o carnaval que esvazia as ruas da capital e leva quase todos para as cidades do interior, deixando a cidade praticamente vazia, um bálsamo pra quem, em dias úteis, trafega pelo menos um terço do trajeto até o trabalho pelo corredor, tanto na ida quanto na vinda.
A uma certa altura, emparelhou comigo, um rapaz numa XJ6. Competitivo que sou, logo pensei - esse tá querendo um rachinha até o próximo semáforo - mas eu estava errado. O rapaz da "xijota" tava admirando a emitê, minha motoca, vendo ela desfilar na avenida...
Veja, não é vaidade minha, é a moto. Aliás, são todas as motos, todas elas são projetadas para serem bonitas nas ruas de algum jeito. E quanto mais potente, mais apelo visual os fabricantes aplicam e mais a gente baba nesses monstros de duas rodas. E o rapaz veio acompanhando, ora emparelhava, ora ficava pra trás, dava pra perceber que o "traçado" dele na avenida, tinha como finalidade deixar minha moto bem à vista. E quem deseja uma moto, sabe como a gente fica embasbacado, olhando e imaginando quando a gente finalmente conseguir comprar um "motorzão". Então eu deixei ele olhar, mantive um ritmo mais lento, afinal tinha um certo tráfego e minha garupeira não merece sentir o solavanco das ruas.
Mas eu não estava só preservando o traseiro da minha garupeira, o componente da vaidade comum aos donos de motos grandes, estava lá, apresentando a moto, mantendo a rotação levemente alta pra aumentar o ronco pobre da emitê. Você que está lendo este texto pode até dizer - ih, que coisa feia, vaidoso por causa da moto - mas não se trata disso. Trata-se de reconhecer em outra pessoa, o gosto pelo motociclismo, pelo gosto por motos grandes, pelas lendárias, pelas motos que marcaram gerações e porque não, pela Master of Torque que me leva e me traz de segunda a sexta para o trabalho? Esse sentimento que temos quando nos agrupamos, quando criamos os grupos de moto pra dar um "rolê"pela cidade, não é só de vaidade, é também uma fraternidade, um desejo sincero de compartilhar com os colegas o quão divertido e empolgante é subir numa moto pensada, desenhada, moldada, montada e ajustada para ser empolgante, impávida, desafiadora.
Espero sinceramente que todos os amantes de moto encontrem a sua moto perfeita, a moto que faz sua cabeça, a última, o fim da procura. E a gente se encontra pelas estradas, ou num motofest qualquer pelo Brasil. Salve!

quinta-feira, 8 de fevereiro de 2018

CACHORRO LOUCO COM MUITO ORGULHO

Se você disser que pilota sua moto todos os dias e não sente um tantinho assim de medo em pelo menos uma única parte do trajeto, ou você é mais imprudente do que eu pensava ou eu sou mais covarde do que eu imaginava. Sempre que ando de moto, passo por pequenas situações que exigem um pouco mais de cautela.
Reconheço, claro,  que não sou tão piloto quanto um cachorro louco, esses caras são verdadeiros ninjas do trânsito, pilotam no limite entre a aderência e a derrapagem, entre a quebrada de asa e o capote. Não estou falando do prego que corre numa bicheira viciada e se aventura a matar e morrer no trânsito. Estou falando do cara que pilota sabendo o que está fazendo, que assume o risco do corredor estreito, da ultrapassagem no limite, da esquiva do roda presa, da canetada na lateral do ônibus - esse cara eu respeito - o cara da aranha arrumada na garupa ou o strep preso no guidão, o sujeito com a capinha de chuva, ou do saco de lixo com três furo no fundo pra vestir, do saco de supermercado no pé pra não molhar o sapato. O homem do capacete cor-de-rosa.
Enquanto eu sigo desajeitado, medindo "no olho" se minha moto passa, se o carro vai ou não vai dançar na faixa, o dono do taurus rosa já foi, já passou nos últimos segundos do amarelo e já tá costurando o próximo barbeiro, jogando luz na cara dele pelo retrovisor pra ser notado.
Confesso que tenho aquele prazer infante em deixá-los para trás quando abre o sinal. Quando paramos lado a lado, percebo os olhares de admiração e curiosidade pela minha moto que é mais do que o sonho de consumo de muitos deles.
Mas basta o trânsito engrossar pra nossa diferença de até 725 cilindradas ser compensada por uma habilidade sem igual. Não teria coragem sequer de aprender tais manobras.
Talvez eu seja só um roda presa mesmo, só um motorzão atrapalhando o fluxo. Salve!