sábado, 17 de março de 2012

CONFIANÇA

Recentemente, ouvi alguém falando que "fulano de tal me pediu para ser seu fiador" e a pessoa desdobrou um rosário de motivos que justificavam sua negativa quanto ao "favor" pedido. Percebendo a coincidência etimológica com a palavra que nomeia esta post, matutei automaticamente sobre a atual pandemia de desconfiança atual. Ninguém hoje consegue mais afirmar que confia no outro, que confia coisas simples como um número de telefone ou um nome. Essa crise há tempos já chegou aos casamentos, em aspectos que variam da mais profunda intimidade à mais rasa das confidências, como ter medo de rato morto, por exemplo.
Isso é tratado por todos como algo até normal, corriqueiro e natural. Só que eu não vejo nada de normal, corriqueiro e muito menos natural em algo tão grave...
Penso que algumas coisas na vida são muito valiosas, outras, nem tanto. Não confundir o valor das coisas evita que percamos o senso da moralidade, a sinceridade, o olho-no-olho que tanto se quer com as pessoas. Evita que nossas relações sejam superficiais, precisamos cultivar relacionamentos sinceros, onde a verdade não precise ser encoberta ou parcialmente revelada (não importa sua tendência filosófica, é a mesma coisa). Uma pessoa não deve sacrificar sua identidade ou a falta de empatia com outra só porque é conveniente ou socialmente apropriado ou pareça ser a escolha certa.
Enfim, o íntimo das pessoas está tão distante da sua face que não sabemos mais com quem nos relacionamos, só sabemos que são muitos estranhos, verdadeiros desconhecidos, arquétipos das nossas necessidades, produções hollywoodianas daquilo que esperamos que o outro seja no seu íntimo mais puro, sincero e cristalino ser.
Acho que vou pedir isso para algum conhecido meu, afinal faz tempo que eu não escuto a expressão "é rúim, hein?"

quinta-feira, 15 de março de 2012

DIA

Acordar, beijo, cafuné, beijo, café, pão quente, aspartame branco, banho, uniforme, roupa, beijo, banco, vale, trabalho, saudade, telefone, trabalho, saudade, telefone, almoço, saudade, trabalho, saudade, casa, beijo, conversa, beijo, janta, beijo, banho, beijo, televisão, beijo, cama,  beijo, beijo,  beijo,  beijo, beijo,  beijo ...

sábado, 18 de fevereiro de 2012

VERDADE

"E conhecereis a verdade e a verdade vos libertará" João 8:32. Quando a palavra do Senhor trata da verdade, ela não fala simplesmente do falar a verdade, do revelar. Fala de uma atitude de verdade, de uma entrega das suas convicções e uma certa coerência atitudinal harmonizada que não ofusca a lógica ou a fluidez dos fatos. A carência da humanidade de viver tais verdades, cria uma verdadeira teia de fatos paralelos, uma grande massa de informações desconexas que levam as pessoas a se afastarem da vontade do Senhor e a endurecer seus corações e mentes para as coisas que verdadeiramente importam e tranquilizam nossa mente e nosso espírito, afastando toda a inquietude e aflição.
A libertação da nossa mente se dá quando nos damos conta da nossa verdadeira missão como cristãos tementes ao Senhor, observando Suas palavras como que impressas em nossos corações, não dialética cristã ou uma vida dissociada do Evangelho como se Deus fosse um departamento da sua vida e não a grande comissão a ser assumida perante tudo e todos.
Quando penso nos administradores do nosso país, do nosso estado, do nosso município, vejo o quanto ainda temos que orar por eles. Graças a Deus.

domingo, 5 de fevereiro de 2012

DEDICAÇÃO

Sempre tive um respeito muito grande pelas mulheres batalhadoras, que são competentes profissionais e ainda são donas de casa, incansáveis, que consomem seu precioso fim de semana, servindo aos seus amores. Limpando, cosendo, cozendo, lavando, servindo, elas expressam um amor incondicional aos seus, entregando-se aos labores com uma abnegação de fazer inveja até a  Agnes Gonxha Bojaxhiu ou a Mohandas Karamchand.
Tenho convivido com uma dessas mulheres espantosas e confesso que por vezes me assusto com tanta energia  desprendida em servir e me pego pensando se estou à altura de tanto zelo, apesar da nossa natural predileção por cuidar, herdada do ramo Galvão da nossa família.
Sempre presencio seu momento de alegria quase velada (a não ser pelos lindos e expressivos olhos a denunciar-lhe) precedido de um trabalho duro e minucioso. E o melhor exemplo disso é quando essa super-mulher decide alimentar seus amores. Qualquer pessoa com jornada tripla, faria uma comida bem simples, bem fácil de fazer que não lhe tomasse tanto tempo. No entanto ela, o foco do amor de todos desta casa, prepara comidas, não com a simples expectativa de alimentar os seus, mas como que reafirmar a si mesma a sua incontestável e comprovada capacidade de cuidar.
E tudo isso sem perder sua delicadeza natural, sua simplicidade, seu romantismo e sincero amor por todos nós que também a amamos.
Ah! Um adjetivo para ela? Desculpe, não encontrei nenhuma à altura.

sábado, 28 de janeiro de 2012

SIMPLICIDADE

Eu assistia a uma comédia intitulada "O todo poderoso" onde Morgan Freeman no papel de Deus, disse ao Jim  Carrey - As pessoas mais felizes que eu conheço, voltam fedendo para casa no final de um dia de trabalho - Essa afirmação ficou gravada durante um tempo em minha memória principalmente por asseverar a importância das coisas simples em nossas vidas. Tenho experimentado prazeres em coisas tão simples, coisas que para qualquer outra pessoa seriam tão triviais...
É claro que a Claudinha a pessoa que tem catalisado todas essas coisas em minha vida, a pessoa que tem marcado em minha vida com doces expressões de carinho, dedicação e amor. Simplesmente olhar o tempo, falar do cotidiano, deitar numa rede só pra ficar se olhando, dormir "de conchinha" ou simplesmente dobrar roupas lavadas, ganham uma importância não por sua relevância social ou cultural, mas pelo simples enlevo da alma em compartilhar com quem amo momentos tão simples.
A grandeza do amor está em modelar nossas vidas à forma da graça de Deus. Nem todos os momentos serão assim, nem todas as horas serão felizes, nem todos os dias serão fáceis. Mas todos os olhares, intenções e compromisso serão eternos, conforme e vontade do Altíssimo.
Graças a Deus, tu tens em tuas as mãos as cores que colorem a minha vida com as cores mais vivas, com uma graça e um brilho inigualáveis. Mas com simples pinceladas, despretensiosamente perfeitas, amorosamente traçadas. Sem grandes pretensões de uma obra de arte, mas com toda a virtuose de quem está pronta para abraçar uma vida inteira compartilhando um amor sem precedentes em nossas vidas.
Sou grato a Deus por sua existência.

sábado, 21 de janeiro de 2012

Comunicação

Será que as pessoas vão voltar a se comunicar com clareza? Detesto a miopia dos lingüistas (com trema mesmo) que insistem em dizer que a linguagem se moderniza com a estultícia midiática televisiva. Vejo riqueza na comunicação dos jovens, no classicismo dos idosos como meu amado pai Esclepíades que sempre falou um português impecável. Aliás, se existe uma pessoa que me influenciou poderosamente esse foi meu pai, um eterno inconformado com a insistente falta de jeito das pessoas com o vernáculo. Sempre me lembro de um programa matutino de rádio em que o locutor avisava os ouvintes sobre cargas, pessoas e recados indo e vindo de várias partes do estado. Tenho saudade do tempo de simplicidade onde a comunicação era um bom e ingênuo instrumento e não apenas um malabarismo onde espertalhões tentam nos fazer consumir e entender as coisas pelas quais eles ganham vultuosas quantias em dinheiro.

Aproveitando este blog, quero avisar a D. Miúda, filha do seu Riba da feira, que Dequinho de Jacobina tá chegando de bate-vento mais Deusa e D. Filó. Estão trazendo dois paneiros de farinha pra deixar na casa de Santinha. Vão chegar na primeira viagem de quinta-feira, daqui mais três dias.

Privilégio meu ter ouvido coisas assim tão ricas.

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

FELIZ ANO NOVO

2012

Hoje é dia 02/01/2012.  Neste meu aniversário de 41,5095890410959 anos, perfeitamente calculados pelo meu Excel, ainda existem muitas coisas a serem vividas. Meu passado, cheio de senões e de porquês, dá lugar a um presente cheio de verdade, olho no olho, cara limpa e coração aberto. Ainda me pego preocupado com o que posso passar, com o que posso sofrer... Mas ora veja, a decisão de mudar não foi minha? Não foi meu o pontapé de uma relação mais honesta com meus sentimentos? Então tenho que ter a coragem de ousar. Tenho que ter sangue nas veias e coração firme.

Tenho seguido em frente, meio desastrado, confesso, mas aprendendo a andar só com Jesus. Conto com a misericórdia do Senhor e com a compreensão que a minha sabedoria em discernir a verdade da mentira vem de Deus e da sua infinita bondade. Nestes dois meses, tenho me sentido vivo, desperto, sem medo de viver, aproveitando cada contração que a alegria impõe aos músculos do meu rosto e me transfigura em um Roberto que eu não via no espelho há tempos...

Eu? Ligar para o que falam? Tenho razões que poderiam encher várias páginas de grossos livros e que explicam à exaustão o porque de estar diferente. Eu tenho um compromisso comigo. Eu tenho um compromisso com a minha felicidade. Nestes tempos de vida em obras, percebo que assim como em obras de construção civil, desvios são criados, novas rotas são abertas, temporária ou permanentemente. Os que estavam acostumados com as rotas velhas vão estranhar as vias, mas para os que passam pelas primeiras vezes, vão contemplar a paisagem, ver que vista é bonita e não ficarão chocados se a mão mudou, se a avenida por onde passavam carros em alta velocidade, preocupados apenas em trafegar, ou caminhões pesados, que arrasavam o pavimento feito com carinho, agora dão lugar a uma estradinha linda, bem arborizada, por onde trafega um certo carrinho vermelho. A estrada está em construção, o pavimento ainda é fino, mas as rodas desse simpático carrinho, mais acariciam que rodam. E este, não vai passar simplesmente, é rota diária, numa estradinha mais simples, sem grandes trevos ou sinalizações complicadas, mas com um charme que nunca teve, onde o sol está sempre nascendo, onde as árvores se curvam gentilmente para fazer sombra ao tal carrinho, que não corre, não faz ultrapassagens perigosas ou freadas bruscas porque instintivamente sem uma placa sequer, sabe que não é para rodar, mas sentir o perfume das flores que sempre brotaram à margem.